Olha para o lado... Violência Doméstica.
Depois de umas férias, abordo um assunto polêmico. Na creche onde andava o Salvador ninguém gostava da mãe dele. Todas as manhãs Maria do Carmo parava o Mercedes à porta do colégio e entrava para deixar o filho. Sempre elegante, bem vestida e cheirosa despedia-se dele à porta da sala com um longo abraço e muitos beijinhos e voltava a sair. Se encontrava a educadora era seca e breve na conversa e nunca se detinha em trocas de impressões com outras mães, que a consideravam pedante e antipática. A meio da tarde, fresca e linda como se o dia se tivesse esquecido de passar por ela, lá ia ela buscar o filho que corria para os seus braços assim que a via assomar à porta da sala. E saía no mesmo registo distante. Arrogante, diziam umas. Tem a mania, diziam outras. Nas festas da escola era quando o marido aparecia. Alto, engravatado, bem constituído, bonito e sorridente, encostava-se com a mulher num canto do salão e não trocavam uma palavra com ninguém, apenas um cochicho cúmplice e e...