De Cronos à Kairós, ou sobre o tempo de cada um.

Continuando com um tema ja aqui colocado ha uns dias...
Os gregos antigos possuíam três conceitos para representar o tempo: khrónoskairós e aíôn.



  • Khrónos é tempo cronológico, o tempo fisico, que pode ser medido, com um princípio e um fim.
  • Kairós é um tempo indeterminado, é o tempo metafísico em que algo especial acontece, é o tempo marcado com um "antes" e um "depois".
  • Aíôn era o tempo sagrado e eterno, é o tempo cíclico e imensurável.
Para nós tudo que é conhecido dos gregos antigos, chegou como mitologia, com seu imenso panteão de deuses, e para os conceitos de tempo não poderia ser diferente. Mas não é minha pretensão abordar a mitologia grega de maneira profunda.



Chronos (ou Aéon) por ser uma representação do eterno, é algo que sempre aceitei, mas nunca nem tentei entender na minha vida. Cronos (não me culpem por esses nomes parecidos, quando nasci já era assim) é o mais jovem dos titãs, é o Cronos que conhecemos das lendas. Filho de Urano e Gaia, tornou-se senhor dos céus ao castrar seu pai com uma foice, Cronos casou-se com sua irmã Reia e tiveram seis filhos, porém, com medo de ser destronado (assim como fizera com o pai) ele engolia os filhos ao nascerem. Reia não feliz com isso escondeu Zeus quando este nasceu e entregou uma pedra para Cronos engolir. Quando Zeus cresceu, resolveu vingar-se e conseguiu conspirar contra Cronos para que esse vomitasse os irmãos e assim unidos pudessem aprisionar Cronos, e após isso, Zeus assumiu o trono do Olimpo. Esse é um resumo apressado, e dá pra achar muito mais sobre o assunto por aí, mas essa é uma história que sempre me fascinou e assustou.
Desde que conheci essa lenda sempre analisei-a sob a perspectiva do tempo cronológico em nossas vidas, como se não controlado corretamente, o tempo pode ser traiçoeiro e destruir até o mais poderoso ser, mas mesmo ao destruir algo, provoca algum centelha de mudança e criação. Mas mesmo esse ser poderoso pode sim ser dominado, e aquele que o fizer será o mais poderoso dos imortais (afinal se controlarmos o nosso tempo, podemos viver por toda eternidade). Aí entra a grande questão que ainda não consegui responder, como controlar esse tal de Cronos, ou esse tempo cronológico?
Bom, como já disse, não tenho essa resposta, mas ao longo do tempo conheci Kairós e o conceito grego do tempo útil, a história de Kairós é pouco conhecida e o que me interessa dizer agora é que ele é filho de Cronos (algumas história dizem ser filho de Cronos, outras de Zeus) com Tykhé, deusa da sorte ou fortuna. O significado literal de Kairós é “o momento adequado ou oportuno” e quando descobri isso pensei: "Se ele é filho do tempo, com a sorte, nada mais justo que esse nome" e realmente é isso que Kairós representa, é o tempo que não nos importamos com o tempo e deixamos que a sorte aconteça. Kairós é aquele filho problema, que não liga para o pai, faz o que quer, mas que está sempre sendo abençoado por toda a sorte. E nessas eu entendi que eu deveria me preocupar mais com Kairós, que com Cronos.
Eu não sou uma pessoa que controla muito bem meu tempo, assim como inúmeras pessoas não são (se é que tem alguém que é de verdade), mas ao correr sempre atrás de controlar o tempo me vi numa paranóia sobre poder, a mesma paranóia que Cronos sofria com medo de perder o poder para um de seus filhos. E nisso deixei escapar, sabe-se lá quantos pequenos momentos de sorte, quantas oportunidades que realmente fariam alguma diferença no poder que tenho sobre a existência.
Foi dessa confusão que resolvi me enfiar no projeto dos #360hábitos, porque o que eu precisava era criar oportunidades, focar em pontos não observados, expandir minha visão da vida e mudar meu nível de pensamento. Então, essa é uma grande curiosidade (mesmo que só pra mim) sobre o número 360, não é uma medida quantitativa, e sim qualitativa, não é sobre um período de um ano e sim sobre dar a volta, é sobre o que acontece ao meu redor, é sobre 360º.
O que mais me admira na mitologia é o poder da subjetividade e de como ao materializarmos os nossos pensamentos, por mais que de uma forma sútil, eles se tornam mais sensatos e fáceis de analisar e trabalhar.

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